quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Coletivo MultipliCidade está com Ted e não abre!




A nossa democracia está sob constantes ataques. Pessoas que não possuem a menor capacidade estão ocupando todas as esferas do Poder Legislativo como representantes do povo. Infelizmente, muitos desses estão lá por culpa do próprio povo que escolhe errado na hora de votar. Isso ocorre por inúmeros motivos, inclusive por não saber em quem está votando.  Diante disso, o Coletivo MultipliCidade declara apoio a Ted Rap como candidato a uma vaga como Vereador na Câmara Municipal de Picos. Conhecemos de longa data o seu trabalho junto à juventude picoense e sua luta enquanto militante político e cultural na nossa cidade. Ted Rap atualmente é acadêmico do Curso de Pedagogia da UFPI, Coordenador do CUCA Periférica, projeto social desenvolvido no Parque de Exposição cujo um dos objetivos é desenvolver ações voltadas para o público infanto-juvenil e prevenir que esse segmento se mantenha afastado de problemas que colocam em risco a sua cidadania e seu bom desenvolvimento. É ainda Vice Presidente do Conselho Estadual da Juventude, Conselheiro Municipal de Direitos Humanos de Picos, Rapper e pai de família. Por isso, no próximo dia 02 de Outubro, faça a escolha certa e eleja quem de fato representa a comunidade e conhece de perto os problemas da nossa realidade. Seu número é 65777. Acompanhem também a página de sua campanha no Facebook através do LINK
Tô com Ted e não abro!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

I Varal Fotográfico de Picos será realizado nessa sexta-feira, dia 22.



O Varal Fotográfico é uma das formas mais simples de acessíveis de expor fotos para o grande público e sem demandar grandes gastos como em uma exposição convencional.  Eventos desse tipo acontecem em diversos lugares do Brasil e do mundo, sobretudo nos espaços urbanos. A primeira exposição desse tipo acontecerá em Picos no dia 22 de Julho dentro das atividades da Sexta Cultura a partir das 18h00 na Praça Josino Ferreira. O público poderá acompanhar os trabalhos de alguns(as) fotógrafos(as) que residem na cidade, como Stephanie Fidelis, Juscimar Barão, Lucas Meneses, Robson Almeida e fotografias do Grupo Cultural Adimó. O espaço ainda estará aberto para outras pessoas que desejarem expor o seu trabalho. Além da Varal Fotográfico, a Sexta Cultural ainda contará com música, tenda literária, oficina de xadrez e muito mais. Não deixem passar lá e conferir.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sexta Cultural funciona sem auxílio dos poderes públicos e privados

Por Jailson Dias
O projeto Sexta Cultural começou no dia 14 de maio e desde então vem promovendo atividades artísticas todas as sextas-feiras à noite na Praça Josino Ferreira sem contar, ainda, com o auxílio dos poderes público e privado. O poder público participa de forma mais esporádica, nada muito intenso. Um dos idealizadores do projeto, o Mano Chagas, que também dirige o Grupo Cultural Adimó, informou que falta a logística para que as apresentações aconteçam de forma mais tranquila.

Ele citou como exemplo o piso da praça, irregular, e pouco propício para dança, podendo ocasionar ferimentos nos bailarinos que se apresentam por lá. “Tá faltando também a iniciativa privada de Picos tomar conhecimento disso e se colocar à disposição, porque o comércio também é cultura e nós precisamos disso. Resta os gestores e a iniciativa privada tomar conhecimento disso e participar”, comentou.
Instituições com a UFPI, a UESPI e o IFPI têm participado da Sexta Cultural através dos seus acadêmicos, mas para Mano Chagas agora é a vez das escolas municipais também aproveitarem o espaço existente na praça. “A gente vai fomentar isso, mas também queremos a participação da sociedade, pois a cultura só servirá de fato se a sociedade participar dela”, comentou.
Em seu início a Sexta Cultural foi uma iniciativa do Grupo Cultural Adimó, desde então outras entidades se juntaram a causa e formaram o “Coletivo Cultural”, que tem diversificado as apresentações, que acontecem no horário das 18h às 22h. A primeira atividade apresentada foi o concurso Beleza Negra, mas a programação tem sido diversa.
“Danças, expressões, artes cênicas, poesias, literatura. Na própria atividade da sexta acontece a tenda literária onde as crianças vão pintar, desenhar, ter algum contato com os livros, alguém sempre estará contando histórias para essas crianças, além da oficina de xadrez”, explicou.
Desde o início do projeto os participantes têm ornamentado e arborizado a praça, além de disponibilizarem cestos de lixo, tudo na tentativa de caracteriza-la como o espaço público que ela de fato é. “Temos um trabalho de orientação quanto a limpeza da própria praça. Na sexta-feira colocamos baldes de lixo, e fazemos o mutirão com a galera que está ali”, comentou.
Quanto a participação da população como espectadores das atividades, esta se mostra variada. As pessoas parecem se mobilizar mais em favor de alguns temas do que de outros, mas o público já está cativo. Dessa forma a Praça Josino Ferreira à noite é usada como ponto de socialização, bem diferente do que acontece durante o dia, quando é meramente um centro de comercial informal.

Fonte: Folha Atual

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Venha para a I Marcha de Picos Contra a LGBTfobia



A LGBTfobia mata todos os dias! “Segundo o banco de dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), atualizados diariamente no site QUEM A HOMOTRANSFOBIA MATOU HOJE, 318 LGBT foram assassinados no Brasil em 2015. Um crime de ódio a cada 27 horas: 52% gays, 37% travestis, 16% lésbicas, 10% bissexuais. A LGBTfobia mata inclusive pessoas não LGBT: 7% de heterossexuais confundidos com gays e 1% amantes de travestis” (Relatório 2015: Assassinatos de LGBT no Brasil). 

Somos a nação que mais mata pessoas transexuais no mundo. De acordo com a ONG alemã Transgender Europe, foram 546 casos entre 2011 e 2015. Para se ter uma ideia, o segundo lugar, o México, teve 190 no mesmo período. Não devemos esquecer também da população LGBT que se suicida por conta de todas as pressões e opressões de uma sociedade preconceituosa e intolerante. Em uma sociedade onde não se debate sexualidades, seja nas escolas ou na família, falar de LGBTfobia se torna mais difícil ainda. 

Diante disso, convidamos toda população picoense para participar da "I Marcha de Picos Contra a LGBTfobia" que acontecerá no dia 01 de julho de 2016 às 16h30min com concentração na praça do Sagrado Coração de Jesus (Praça da Igrejinha).

OBS.: Simbolizando LUTO e LUTA, venham todos(as) vestidos(as) de preto. 

Organizadores: DCE UFPI, C.A. de História e Sistemas da UFPI, Coletivo Feminista GracIones, Anel Vale do Guaribas, Levante Popular da Juventude-Picos, Coletivo MultipliCidade, UJS-Picos, UMP-Picos e Coordenadoria de Direitos Humanos de Picos.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A guerra do Coletivo MultipliCidade contra a Transfobia



Em 2015 a organização não governamental Transgender Europe (TGEU), rede europeia de organizações que apoiam os direitos da população transgênero, divulgou dados alarmantes sobre a violência contra travestis transexuais no Brasil. Segundo a ONG o nosso país é o que mais mata pessoas Trans no mundo. Curiosamente, outro dado divulgado pelo site pornô Red Tube constatou que os brasileiros são os que mais procuram por pornografia transexual no site.

Dados como esse mostram o quanto uma parcela da nossa sociedade é intolerante, violenta e hipócrita. Atitudes de intolerância podem ser observadas tanto em ações radicais, como também nos atos mais sutis. Recentemente o Coletivo MultipliCidade tem passado por uma experiência que pode exemplificar esse atos sutis de intolerância contra pessoas trans.

Em nossas atividades de intervenção urbana costumamos fixar cartazes (Lambe Lambe) com frases de impacto que busquem provocar a reflexão das pessoas na rua. Um de nosso lambes carrega a frase “Respeite as Trans” e foi fixado pela primeira vez no poste da calçada da Caixa Econômica Federal no dia 20 de fevereiro de 2016. 

1º Lambe fixado em 20 de Fevereiro de 2016

Tentativa de retirada do 1º lambe em 23 de Fevereiro.

Após três dias observamos que alguém tentou retirar o cartaz do local, mas não conseguiu de imediato. As tentativas continuaram gradativamente ao longo dos dias até que conseguiram removê-lo por completo. Alguns tempo depois resolvemos colocar novamente o mesmo lambe no mesmo local, mais especificamente em 05 de junho.  

2º Lambe fixado em 05 de junho.

2º lambe retirado em 07 de Junho.

Dessa vez ele durou apenas dois dias até ser retirado mais uma vez. Geralmente os nossos cartazes com outros conteúdos não sofrem o mesmo tipo de ação, costumam permanecer no local até se desgastarem por completo ou serem substituídos. Dessa forma observamos que o conteúdo daquele lambe estava incomodando alguém que passa por aquele local com frequência. Sendo assim, resolvemos fixar o mesmo cartaz em todos os postes. 
Já no poste onde os anteriores foram retirados decidimos fixar uma placa grande com a frase “O corpo da travesti existe e resiste”. 

Placa fixada no dia 12 de junho.
Essa atividade foi realizada no dia 12 de junho, mas os conteúdos só permaneceram no local por cinco dias. No dia 16 de junho percebemos que todos os lambes colados nos postes da rua foram retirados. E dessa vez foram além, acompanhado de uma cuspida, escreveram a frase “Não bando de FDP”. A título de informação, a sigla “FDP” quer dizer “Filho Da Puta”. No dia seguinte (17) placa grande que fixamos também foi rasgada. Uma funcionária do estacionamento próximo ao local informou que os responsáveis pela retirada da placa são alunos de uma escola particular localizada naquela rua. A mesma afirmou que os estudantes subiram no poste e puxaram até rasgar.

No lambe é possível ler "Não bando de FDP" escrito a lápis. (16/06)
Placa rasgada no dia 17 de junho.


Se é lamentável para nós ter que lidar com esse tipo de manifestação de preconceito, imagina para as pessoas transexuais que vivenciam na pele e até mesmo pagam o ódio e intolerância das pessoas com a própria vida. Se pessoas manifestam seu ódio através de atos sutis como os que relatamos aqui, imagina o que não fariam com uma travesti ou transexual de verdade. Nós do Coletivo MultipliCidade continuaremos realizando nosso trabalho e muitos outros lambes sobre respeito à diversidade será fixado pela cidade, sobretudo naquele local. Sempre estaremos em busca de um mundo mais igualitário e sem preconceito onde as pessoas possam se respeitar e respeitar as diferenças do outro.


Por que você joga lixo no chão? O Coletivo MultipliCidade quer saber.



Problemas com a limpeza das vias públicas são uma constante em diversas cidades pelo Brasil e em Picos não é diferente. Muitos fatores contribuem para situações como essa e é pensando nisso que  o Coletivo MultipliCidade está realizando uma pesquisa para descobrir os motivos que levam algumas pessoas da cidade a jogarem no chão o lixo que elas produzem. Para participar basta acessar este LINK e responder a pergunta. Colabore conosco e nos ajude a divulgar compartilhando a publicação sobre a pesquisa. Em breve divulgaremos os resultados.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Coletivo MultipliCidade planta novas mudas de árvores na Praça Félix Pacheco



Por possuírem diversas finalidades, as árvores são elementos indispensáveis na natureza. Dentre suas utilidades podemos citar a purificação e umidade do ar, tendo em vista que elas atuam como capturadoras de CO2 e gases tóxicos devolvendo oxigênio para a atmosfera. Além do mais, as árvores proporcionam inúmeros outros benefícios para os ecossistemas e espaços públicos. Levando em consideração todos esses atributos que as árvores nos proporcionam, o Coletivo MultipliCidade tem realizado em Picos o plantio de algumas mudas com o objetivo de melhorar a qualidade dos ambientes e arborização da cidade. A mais recente atividade para plantio de árvores ocorreu no último domingo (10 de abril), na qual membros da equipe do Coletivo plantaram duas mudas de Nin Indiano na Praça Félix Pacheco. Vale lembrar que os mesmos já haviam feito o plantio de duas mangueiras no local com a participação do artesão Antônio Silva, mais conhecido como Piauí Ecologia.




segunda-feira, 14 de março de 2016

Coletivo MultipliCidade realiza mais um mutirão de limpeza da Praça Félix Pacheco.






No último domingo, 13 de março, o Coletivo MultipliCidade realizou mais um mutirão de limpeza da praça Félix Pacheco. O Coletivo já havia realizado um mutirão no dia 28 de fevereiro no qual contou com a participação do artesão Antônio Silva. A primeira atividade chamou a atenção de alguns internautas que se dispuseram a colaborar na próxima ação. No entanto, nenhum compareceu nesse dia 13 apesar da recorrente divulgação nas redes sociais. Dessa forma, o mutirão ficou a cargo apenas dos próprios membros da equipe. O Coletivo pretende continuar desenvolvendo atividades como essa, caso alguém queira colaborar de fato, basta ficar atento às divulgações em nossa página do Facebook.



QUALQUER UM PODE FALAR QUE NÃO É PRECONCEITUOSO. MAS É O QUE VOCÊ FAZ QUE DIZ QUEM VOCÊ É

Qualquer um pode falar que não é preconceituoso. Mas é o que você faz que diz quem você é

O sol brilha no playground infantil enquanto três crianças brincam juntas. Elas dividem com sincera alegria o escorregador, o balanço e a inocência da infância. São felizes porque têm a mesma idade, frequentam a mesma escola e compartilham as mesmas brincadeiras.

Lucas é um garoto esperto e brincalhão. Ana é enérgica e sincera. Gabriel, tímido e observador. Os três brincam juntos todos os dias no recreio do colégio.

Um dia, Lucas chega em casa e seu pai está bravo porque bateram no carro dele: “Só podia ser mulher! Mulher é muito burra. Toda mulher é barbeira, não sabe dirigir!”

Nesse mesmo dia, Ana passeia com sua mãe no shopping e elas veem uma mulher obesa tomando sorvete. “Tá vendo, filha! Não pode comer doce todo dia, senão você ficará uma baleia como aquela moça.”

Na casa de Gabriel, ele ouve atentamente seus pais conversarem. A mãe suspeita que a faxineira vem furtando comida da despensa. “Demita a mulher”, diz o pai de Gabriel. “Não confio em pretos. Vê se agora arruma uma faxineira branca.”

Há uma passagem do livro “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee, que ilustra o preconceito seletivo de algumas pessoas. A menina Scout ficou incomodada com algo que nenhum adulto pôde lhe explicar: por que, para a sociedade americana do Sul dos Estados Unidos, na década de 1930, era errado Hitler perseguir os judeus enquanto era normal o racismo contra os negros? “A perseguição acontece em países onde há preconceito”, explicou a professora, na escola, em relação à ditadura que ocorria na Alemanha. Entretanto, essa mesma professora achava um absurdo brancos se casarem com negros.

Lucas é negro. Ana é menina. Gabriel é gordinho.

Quando se encontram novamente no playground, tudo continua igual: o sol brilha no céu, o escorregador e o balanço permanecem no mesmo lugar. Porém, em seus corações de criança, há o peso das palavras carregadas de ódio de seus pais. Lucas, que sempre achou Ana diferente das outras meninas porque ela sobe nas árvores com ele, lembrou-se de quando seu pai lhe disse que toda mulher é burra. Ana, que sempre gostou quando Gabriel traz balas na lancheira, queria dizer-lhe que ele ficará uma baleia se não parar de comer doces. Gabriel, que gosta das brincadeiras malucas que o Lucas inventa, ficou desconfiado porque seu pai falou que não se pode confiar em negros.

Hoje eles brincam ressabiados. Um olha para o outro com sentimentos divididos entre a ternura natural e o preconceito adquirido. O sol, até então sempre cálido e vivo, agora está sobre a sombra da ignorância.

Os sentimentos que cercam essas crianças não vieram delas. São os adultos que deveriam lhes ensinar o que é empatia, respeito ao próximo e tolerância. Entretanto, nossa sociedade ainda está atrasada no que se refere ao amadurecimento e acolhimento das diferenças. Ainda nos deparamos com pessoas que são seletivas em seus preconceitos.

Talvez essa seletividade seja a escuridão de quem não reconhece que somos seres humanos apesar de nossas diferenças e não entende que, mesmo diferentes, somos todos iguais.

Para o sol brilhar para todos, é preciso ter coragem de admitir que o preconceito que eu sofri não justifica o meu próprio preconceito. Como escreveu Harper Lee, “coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes de começar, e mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo”.

Fonte: Revista Bula

sexta-feira, 11 de março de 2016

Participe do projeto Versos na Rua




O projeto Versos na Rua tem como objetivo democratizar o acesso à poesia e incentivar a produção textual dos picoenses através da colagem de Lambe Lambes com textos de autoria dos moradores da cidade. Portanto, se você deseja colaborar com o projeto preencha o formulário com uma poesia, poema ou reflexão de sua autoria. Em breve você poderá cruzar com o seu texto pelas ruas.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Fanzine Digital comemorativo do primeiro ano de atividades do Coletivo já está disponível para download


Nas atividades em comemoração ao primeiro ano de atividades do Coletivo MultipliCidade elaboramos uma Fanzine Digital para ser distribuído durante a intervenção realizada em 20 de Fevereiro. Agora estamos disponibilizando ele para download em nossa guia "Publicações" ou diretamente neste LINK

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Projeto "Versos na Rua" será retomado



Em 2013 era realizado em Picos o projeto “Versos na Rua”. Seu objetivo era dar visibilidade às produções textuais, sobretudo poéticas, da população picoense e diminuir a tensão visual provocada pela fixação de cartazes com anúncios de festas e outras propagandas. Para isso foi feita uma campanha através da página do projeto no Facebook para coletar pequenos trechos de reflexões ou poesias entre os moradores da cidade que posteriormente seriam fixados em postes ou locais onde já existia poluição visual. Na época a iniciativa não contou com muitos adeptos, mesmo assim não impediu que a proposta fosse colocada em prática, o que acabou levando, em sua maioria, textos de grandes pensadores para as ruas. Agora o Coletivo MultipliCidade pretende retomar esse projeto e conta com sua colaboração para executá-lo. Portanto, se você deseja levar às ruas alguma reflexão ou poesia de sua autoria, entre em contato conosco através do e-mail coletivomultiplicidade@gmail.com ou da nossa página no Facebook e envie seu texto. Teremos o maior prazer usá-los em nossas intervenções urbanas.

Alguns dos cartazes do projeto Versos na Rua

Coletivo MultipliCidade participa de mutirão de limpeza da praça Félix Pacheco


A convite do artesão Antônio Silva, o Coletivo MultipliCidade participou de um mutirão de limpeza da praça Félix Pacheco na manhã do último domingo (28). Antônio Silva, conhecido em Picos como "Antônio Magro" ou "Piauí Ecologia" chegou recentemente à cidade após sair de São Paulo e realizar o trajeto até aqui de bicicleta. Chegando aqui ele chamou a atenção para a situação que a cidade se encontra em relação a sujeira, falta de arborização entre outros problemas. A atividade iniciou-se às 8h da manhã com o plantio de duas mangueiras na praça pelo artesão. Em seguida o grupo realizou a coleta de todo o lixo do local. Ao final foram coletados nove sacos de lixos que  se encontravam espalhados pelo chão e nos canteiros da praça. Antônio Silva ainda gravou alguns vídeos apontado a falta de educação da população que joga lixo em local impróprio e solicitou que a administração pública tomasse medidas para evitar a sujeira e conscientizar o público sobre a importância de manter a cidade limpa e arborizada. Ele retornará para São Paulo no próximo dia 02 de março, mas deixou para o Coletivo a missão de dar continuidade a esse trabalho. Dessa forma, esperamos contar com o apoio da população e fazemos o convite para quem tenha interesse em colaborar com as atividades, pois é muito fácil encontrar quem aponte o problema e faça críticas, porém são poucos os que estão dispostos e agir e transformar a realidade que lhe incomoda. Pequenos atos como esse fazem muita diferença, mesmo assim ainda é possível encontrar pessoas que debocham ou torcem o nariz sob o argumento de que esse trabalho é inútil ou não é obrigação nossa, mas para nós do Coletivo o bom desenvolvimento de uma cidade não depende apenas do Poder Público Municipal, mas da sociedade como um todo. 

   




Sobre street art, manifestações e ratos: “Guerra e Spray” (Banksy)

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Você passa pelas ruas todos os dias. Provavelmente sem prestar muita atenção à sua volta. É um caminho já conhecido, monótono. Não há nada em especial para chamar a atenção, certo? É a rua. Um espaço marginalizado, um espaço comum e sem novidades.

Até o momento em que você, por acaso, olha por mais de dois segundos para uma certa parede, e encontra algo que não estava lá. Algo intrigante, a princípio. Um painel. Uma imagem que parece conhecida, mas em que há algo que não se encaixa. Uma imagem debochada, destoante, ácida. Pode ser uma linda garotinha abraçada a uma bomba, ou um guarda pichando a parede. Ou ratos, sempre presentes em grandes cidades. E de repente a rua deixa de ser tão trivial. É nisso que se baseia o livro Guerra e Spray, uma espécie de “antologia” do trabalho do artista de rua Banksy: tudo deixa de ser trivial, e passa a ser incrivelmente significativo.

O autor e sua obra

A identidade do autor ainda é um mistério. Sabe-se que ele nasceu em Bristol, em 1974 (ou 1975), e que seus trabalhos se concentram na Inglaterra, apesar de estarem espalhados por outras cidades do mundo também. Seu trabalho vai além do grafite, sendo ele também pintor de telas e diretor de cinema (no caso, o documentário Exit Through the Gift Shop, seu primeiro trabalho, que lhe valeu uma indicação ao Oscar de 2011 por Melhor Documentário.)

Versátil, seu trabalho vai além dos muros das cidades britânicas. Ele já realizou trabalhos em Barcelona, Paris, Sydney, New Orleans, Palestina. Grafitou de muros de ruas a monumentos, de jaulas de animais de zoológico a vacas (sim, vacas). Com “esculturas” de cones, bonecos representando os presos de Guantánamo colocados em plena Disneyland, e pinturas “infiltradas” em museus, o trabalho de Banksy é subversivo, debochado, anárquico. E lindo.


O livro mostra diversos trabalhos dele, mas a princípio não segue uma lógica óbvia. E já começa cutucando, com a frase “O copyright é para perdedores.” Depois, são mostradas algumas imagens de trabalhos dele nas ruas de Londres. O texto seguinte resume um pouco o conceito do livro, que é o de defender o grafite como forma legítima de arte, e não como “poluição visual”. Para ele, a verdadeira poluição visual é aquele provocada pelas propagandas, enfiadas garganta abaixo das pessoas o tempo todo, e o grafite é uma forma de resistência contra eles, uma forma de fazer o mundo um lugar mais bonito.

A partir daí, o texto do livro se divide entre histórias e reflexões. Através deles, é possível conhecer um pouco mais as motivações do artista. Banksy é um provocador, e seu trabalho tem a intenção de causar choque o tempo todo. Muitos de seus grafites se tornaram icônicos, graças às poderosas mensagens incluídas neles. É o caso da primeira imagem da matéria, que vocês certamente já viram em outros lugares. São imagens que desconcertam, e que forçam a uma reflexão.


Banksy também se vale da paródia para passar sua mensagem. Aqui vale a pena falar de outro artista, chamado Marcel Duchamp. Ele foi um artista do começo do século, que causou furor ao incluir um mictório numa exposição e chamá-lo de arte (dentro da proposta de ready-made, objetos prontos que se “tornavam” arte), e por, em 1919, lançar a obra LHOOQ (que significa “Elle a chaud au cul”, literalmente, “ela tem fogo no rabo”). O que era essa obra? Nada mais do que uma Monalisa com um pomo-de-adão, bigode e barbicha. Muitas pessoas relacionam o trabalho de Banksy ao trabalho de Duchamp, porque ambos ironizam a arte e a questionam profundamente.


Ele também faz uma crítica pesada à guerra, à violência, às determinações capitalistas e a forma como elas determinam o modo de vida das pessoas, bem como ao sistema que as legitima. Os fragmentos de texto espalhados pelo livro mostram isso muito bem:

“Eu gosto de pensar que tenho a coragem de me levantar anonimamente numa democracia ocidental e clamar por coisas nas quais ninguém mais acredita – como paz e justiça e liberdade.”

Suas pinturas mostram soldados armados com rostos sorridentes. Crianças vendendo armas, abraçadas a bombas, helicópteros de guerra com laços cor-de-rosa. É a ridicularização da violência, não numa forma que diminua seu impacto, mas num sentido de mostrar o quão estúpido isso pode ser. Ao debochar da violência, ele a combate, à sua própria forma. Da mesma maneira, ao debochar das autoridades, mostrando os guardas reais britânicos cheirando cocaína, pichando paredes, ou simplesmente se beijando, ele também demonstra que não os leva a sério como força de defesa, e os questiona.



Outras intervenções que ficaram famosas foram pinturas dele nos museus. Não que um museu tenha se rendido à street art, mas pinturas que ele literalmente preparou, pendurou na parede do museu e esperou. Ele chegou a fazer isso no museu do Louvre, onde sua tela durou uma hora antes de ser retirada pela segurança. Essas pinturas foram compradas em sebos e lojas, sem identificação, e “pichadas”, alteradas por ele. Mais uma vez, surge a comparação com Duchamp: por ele ter colocado esses quadros lá, eles são “menos” arte? Sinceramente, acho que não. Trata-se apenas de uma outra forma de arte, menos preocupada com a beleza ou sentimentalismo e mais crítica e debochada.


Pessoalmente, minha série favorita é a dos ratos. Não pelos ratos em si, mas pela justificativa dela. “Se você é sujo, insignificante e mal-amado, ratos são o modelo de comportamento fundamental.” Os ratos resumem o trabalho de Banksy e o ironizam. Afinal, se formos pensar bem, a street art é o “rato” das artes, considerada puro vandalismo por muitos, menosprezada por outros tantos, e ainda assim resistindo a todas as dificuldades.  E é uma das imagens dessa série que tem a frase mais forte e provocativa do trabalho dele.


Em resumo, o livro Guerra e Spray é sensacional. Admito, não o teria lido se não fosse por uma disciplina da faculdade, cujo trabalho final era uma resenha da obra. Mas fico feliz por essa resenha ter me levado a conhecer um trabalho tão rico, diverso e intenso como o de Banksy. Ao final, ele dá dez dicas para se tornar um artista de grafite, e é de certa forma tentador. O livro inspira a tomar uma atitude e resistir a tantas agressões às quais somos expostos todos os dias. E, mais do que isso, o livro quebra preconceitos. A street art é muito bela, muito forte e muito legítima, e ao contrário das ditas “belas” artes, está ao alcance de todos. A rua é livre, então a arte nela se torna ainda mais importante.

Enfim, fica a sugestão. Leiam “Guerra e Spray”, e conheçam o trabalho de Banksy. Para quem quiser saber mais, o site oficial dele mostra todas as obras, divididas por local, bem como algumas informações sobre o trabalho dele em si. Vale a pena conferir, sem dúvida. Muito obrigada por lerem, espero que tenham gostado, e até mais.

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P.S.: obviamente, o tema não foi escolhido por acaso. O motivo foi mostrar que existe um milhão de formas de resistência e luta por um ideia, e a arte é definitivamente uma delas.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

ALEXANDRE KETO E O GRAFFITI COMO FERRAMENTA DE EMPODERAMENTO

por Kauê Vieira



Nascido na Zona Leste de São Paulo, no Parque São Lucas, Alexandre Keto é parte de uma geração que enxerga a arte como ferramenta importante de empoderamento. O interesse pelo mundo artístico se manifestou logo cedo, quando começou a fazer seus primeiros traços e a pintar. Tempos depois conheceu o graffiti e tudo que o liga, como a cultura hip hop, a linguagem urbana e reivindicações e busca por soluções de questões de âmbito social.


O contato com a cultura africana e o universo afro-brasileiro chegaram rápido na vida do artista, que inclusive se iniciou no Candomblé. Ao longo de sete dias, depois de ter os cabelos raspados e passado por um período de recolhimento, Keto teve o corpo pintado por um giz branco, parte de uma série de rituais que o farão um filho de santo – um yàwó. O giz se chama Efun e foi esse o nome de sua primeira exposição na capital paulista.




De acordo com o artista, o processo serviu para transformá-lo completamente e enxergar sua criação além do contexto visual, trazendo um ar de “intervenção direta ao ser humano”. “Eu acredito no papel da arte como uma ferramenta de transformação, que possibilita esta intervenção direta ao ser humano, que abra horizontes e transcenda em muitos aspectos vitais. Mas de uma forma real e acessível para que isso seja eficaz às pessoas,” explica em entrevista ao Afreaka.


É difícil dizer o que mais salta aos olhos nas curvas e cores de seus desenhos, contudo uma característica chama a atenção: o envolvimento social de Keto, que sempre procurou – por meio dos desenhos, promover um diálogo original entre a periferia e seus habitantes. Seguindo essa linha, o artista que já morou no Senegal, onde criou um projeto que tem como intuito pintar em países colonizados e colonizadores.




Os desenhos retratam aspectos da cultura Iorubá (habitantes da África Ocidental), Banto (localizados principalmente na África Subsaariana) e Ashanti (que vivem em Gana). Suas obras podem ser vistas em bairros de imigrantes africanos na Inglaterra, Portugal e França. Além disso, Alexandre Keto deixou sua marca em nações africanas como Gana, Benin e Angola. Para a produção dos desenhos, o jovem paulistano faz uso de tecidos trabalhados com spray, giz pastel e tinta acrílica.


Ao fazer questão de manter a ligação com suas origens negras e dialogar com a periferia, Alexandre Keto mostra que a arte precisa ser vista e sentida, especialmente por seus protagonistas. Retratando a cultura de países como Angola e Nigéria – nações que forneceram grande número de escravos ao Brasil, o grafiteiro, de alguma forma, mantém ligado o cordão umbilical que une africanos e brasileiros, além de contribuir para a formação de uma identidade negra contemporânea.



 Fonte: AFREAKA